domingo, 29 de maio de 2011

Palavras que poderiam ser minhas by A Pipoca Mais Doce

Acabei de ouvir Marinho Pinto (o Bastonário da Ordem dos Advogados) a dizer que a prisão preventiva dos delinquentes que promoveram aquela bonita cena de espancamento a uma miúda não faz sentido nenhum e que temos um sistema judicial "da Idade Média". Marinho Pinto desvalorizou completamente a gravidade do que aconteceu, e eu pergunto-me como é que uma pessoa com o cargo e as responsabilidades que ele tem pode vir a público dizer tamanha parvoíce. É que isto é praticamente um incentivo a que outros miúdos estúpidos e mal formados se lembrem de fazer o mesmo, por não ser assim tão grave e por até haver quem ache que a prisão preventiva é um claro exagero. Não sou inocente ao achar que esta situação foi um caso único e pontual. Infelizmente, deve ser o pão nosso de cada dia por este país fora. Mas esta, por sorte ou por azar, foi parar à televisão e ganhou proporções inimagináveis. Talvez assim jovens como estes percebam, finalmente, três coisas:1) Que os seus dramas adolescentes (e insignificantes) não se resolvem à pancada e que é preciso que alguém lhes ensine isso;2) Que mesmo que achem que ao estalo e ao pontapé assumem uma posição dominante, ao menos que sejam espertos o suficiente para não o filmarem e, sobretudo, para não espetarem com essa merda no Facebook. Eu sei que é fixe darem aquele ar de quem faz e acontece, mas isso só vos vai fazer parecer idiotas à escala nacional;3) Que os actos, às vezes, têm consequências. Consequências essas que podem implicar ir ver o sol aos quadradinhos em Tires e no EPL;Dizer que são crianças e que a prisão preventiva é uma pena demasiado severa é dar carta branca a outros marginais que por aí andam. Lamento, mas pessoas que se portam como delinquentes, devem ser tratadas como tal. E 15, 16 e 18 anos são idades em que se tem plena consciência daquilo que se faz. Somos todos mais parvos e inconsequentes com essa idade? Somos, é verdade. Mas também não estamos a falar de crianças de colo ou de maluquinhos que não sabem o que fazem. As duas miúdas que agrediram e o miúdo que filmou sabiam bem o que estavam a fazer. Só não sabiam (porque a burrice também é uma coisa comum a estas idades) que ia dar no que deu. Sinceramente, não tenho pena. Nem acho que se deva ser brando ou condescendente.

Poste publicado em http://apipocamaisdoce.clix.pt/  

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cerejas e um bom fim-de-semana

Um fim-de-semana inteirinho dedicado a comida bem boa na casa dos avós, chapinhar no rio Sabor, respirar ar puro no meio dos montes, encher a barriga de cerejas apanhadas directamente das árvores, tardes no terraço à conversa, noites à procura da Ursa Maior, cheiro de pão acabado de sair do forno e muito dolce fare niente! Ora então até segunda! 



Percebe-se que o nosso cabelo está enorme, quando demoram quase hora e meia a esticá-lo / secá-lo e pagamos mais do dobro do que o costume. Nem quero lembrar quando for para fazer nuances. Ai casamentos, casamentos é este ano que me levam à falência!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ainda a má educação

Quem lê este blogue, principalmente em dias que eu estou mais irritadiça, deve-me achar pouco tolerante. E sou! Há coisas que não tolero, de todo. Uma delas é a falta de bom-senso nas pessoas, principalmente as que não sabem viver em sítios com mais gente. Toda a minha vida vivi em apartamentos, paredes com paredes com outros apartamentos e com outros prédios. E uma das grandes chatices dos prédios é a fraca insonorização que costumam ter. Por norma já é fraca, então nos prédios antigos costuma ser péssima. Em Lisboa tinha uns vizinhos de cima que eram uns autênticos ogres, apesar de sempre que eram chamados atenção puxavam dos galões que eram licenciados não sei em quê! E acho que foi aí que a minha teoria, de que formação académica não é igual a boa educação, ganhou mais força. Quando pensava que brevemente me iria livrar de gente estúpida como aquela, eis que no prédio ao lado do da minha mãe, no andar ao lado do nosso, no quarto que divide parede com o meu, vivem lá... ogres! Ah pois é! Que parece que quanto mais o tempo avança, mais gente estúpida existe. Alias, devia-se fazer uma tese sobre essas proporções. A quantidade de pessoas mal formadas em relação ao avançar do tempo moderno. Porque modernos só se forem as tecnologias, porque a boa educação anda num decréscimo alucinante. Então pronto é isto. Parece que do outro lado da parede do meu quarto, existe uma cambada de gente muito pouco dada a princípios, em que às três da manhã estão a falar como se estivessem a fazer promoção às couves na praça, e de repente parece que tenho o mercado dentro do meu quarto. Com direito a uns belos palavrões e tudo. Vocês perguntar-se-ão: "mas onde raiu é que ela mora?" Pois, eu própria também me faço essa pergunta. "O que raiu aconteceu a estes prédios, que sempre foram de uma vizinhança impecável, cheia de boa educação, civismo e respeito, e agora está nisto? Como é que isto se transformou desta forma?" E depois há outras coisas que são: o que fazer quando dividimos paredes com ogres como estes? É que se formos educados e chamar a atenção, eles reagem mal e são mal educados, para não dizer que são umas bestas. Se houver um dia que nos passamos da cabeça e damos pancadinhas na parede para avisar do barulho, ripostam com tamanha força que parece que a parede vai cair. Se chamamos a polícia, no dia a seguir se calhar é melhor passar a olhar por cima do ombro, sabe se lá do que aquela gente é capaz. Portanto assim de repente, dá-me vontade de lhes desejar uma coisinha má para ver se eles se põem a andar dali para fora! Faz de mim má pessoa? É que tenho andado a pedir a todos os santos que se ponham andar dali depressinha! 



P.S. Entretanto enquanto cá estão, se algum advogado, ou jurista, ou alguém com informações úteis, lêr isto, digam-me por favor o que devo fazer, para não me passar e não lhes desejar tão mal como desejo. Agradecida. Eu no fundo, no fundo, sou um amor de menina.

Falta de civismo ou como um parzinho de estalos não fazia mal a ninguém!

A falta de civismo é daquelas coisas que me deixam muito, muito, muito zangada. Pessoas que não respeitam outras, que não respeitam regras, que não respeitam direitos básicos mereciam um bom par de estalos. A mim, quando vejo coisas que me fazem fervilhar, vontadinha não me falta. Já se viu que pelo bom-senso e pela conversa, com pessoas deste tipo, não se vai lá.
Em frente ao sítio onde trabalho há lá dois estacionamentos para deficientes e centenas de estacionamentos normais. Pois que as pessoas devem ter muito medo de andar a pé e onde é que estacionam os carros? Claro! Nos lugares reservados a quem tem dificuldade de locomoção. E como se não bastasse ocupar um lugar, ocupam logo os dois que dá muito trabalho fazer manobras. Há uns dias assisti a coisas verdadeiramente estúpidas. Pessoas a tentar estacionar em lugares que não cabia lá um smart. Mas que mesmo assim, não desistiam, mesmo depois de baterem em todos os carros laterais. Quando finalmente desistem, e já depois de pôr faróis dos carros estacionados no chão, vão-se embora como se nada fosse! Minha gente o que é isto???? Não dá vontade de ir atrás da pessoa e trazê-la por uma orelha? 
Ah, outra coisa que também me anda a espantar muito é a falta de educação, mas de pessoas mais velhas. Lembro-me de conversas, quando era mais nova, entre pessoas adultas a queixarem-se que os jovens de agora são antipáticos, mal educados, agressivos a falar. Eu, sendo da geração jovem de quem tanto falavam digo que a má educação e antipatia vêm de pessoas com idade para terem uma educação bem melhor. Seja com pessoas da mesma idade, seja com pessoas mais novos, que boa educação não tem idade. 
Outra coisa que também acho muita graça é a pessoas que estacionam carros a trancar outros, e que depois quando regressam e os carros trancados reclamam, eles ainda são mal educados. E eu que no ciclo aprendi que Portugal fazia parte dos países desenvolvidos...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

E há lá melhor maneira de acabar a semana do que ir à Disney-das-casas, que é como quem diz ao Ikea? Vou tentar não trazer tudo o que vir e ficar só pelo que preciso. Prometo que me vou esforçar! Mas vai ser tão difícil!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Irmã mais velha

Qualquer criança pequenina, principalmente as meninas, sonham em ter uma irmã para brincar. Então se for mais velha, admiram-na e olham para ela como o modelo a seguir. Porque é muito bonita, porque nos protege, porque nos trata como se fossemos as suas bonequinhas especiais. E nós adoramos esses miminhos, esses momentos que nos fazem sentir únicas. Mesmo quando as irmãs não o são de sangue, há laços que se formam.
Apesar da minha mãe só me ter tido a mim, quando era pequenina tinha uma irmã de coração. Cinco anos mais velha, que eu adorava e só queria ser como ela. Era a mais linda, até das minhas amigas da escola. Tinha um enorme cabelo loiro que eu passava horas a pentear. Tinha a cara mais delicada a quem eu não me cansava de fazer festinhas e ela, sempre muito paciente comigo, passava horas a deixar-me trata-la como se fosse a minha boneca. Apesar de ser mais pequenina e ainda andar na primária, gostava que ela me contasse os seus dias de adolescente e que me tratasse como a sua confidente. Eu bebia todos os seus conselhos, achava graça a todas as suas piadas e era leal em todas as asneiras. Foi ela que me ensinou as músicas do Bryan Adams e dos Roxette, foi com ela que fui passar as primeiras férias ao Algarve, era com ela que dormia quando a minha mãe trabalhava por turnos, foi ela que fez o meu trabalho de geografia do sétimo ano, foi ela que me fez o meu primeiro trabalho a computador para a escola, foi com ela que fui comprar as minhas primeiras All Star iguais ás dela, era ela que me fazia rir às gargalhadas até me doer a barriga. É difícil, se não impossível, imaginar a minha vida até aos treze anos sem ela. Foram muitos os dias, os meses e os anos partilhados, as férias divididas e as noites juntas.   
Lembro-me do dia que ela entrou para a Universidade eu sentir muita vontade de chorar. O meu coração estava apertadinho e tinha uma voz que me dizia que nunca mais iria ser igual ao que era. Como se tivéssemos chegado ao fim da estrada e agora éramos obrigadas a separar-nos. E separámo-nos! Eu cresci, acabei o ciclo, fui para o secundário e a vida seguiu. De repente, e sem conseguir explicar como, perdemo-nos o rasto. Eu mudei de casa, a casa dela deixou de ser nos andares acima da minha, e eu fiquei sem a minha inspiração de como era ser crescida. Até 2ª feira passada. Porque há dias que estamos a fazer o trabalho certo, no dia certo, à hora certa. E por intermédio de alguém que conseguiu reconhecer a minha cara desde os dez anos, chegou a mim, e quando me falou no nome dela eu rejubilei. Os meus olhos brilharam, o meu sorriso rasgou-se e o meu coração começou a bater muito depressa. À noite, o Facebook foi a minha lupa de procura no meio de tantas meninas com o nome dela, mas nenhuma tão linda como ela continua a ser. Encontrei-a. E as lágrimazinhas quiseram saltar. De saudades, de alegria, de beleza, de emoção por ver como a vida dela seguiu e de felicidade por vê-la tão feliz. Encontrei-a! Uma semana antes dos anos dela e duas semanas antes dos meus. Foi uma prenda de anos adiantada muito, muito especial. Do fundo coração, posso não receber mais nada, mas também não quero. Encontrei a minha Lili e isso vale mais que todos os presentes embrulhados em papel!  Melhor que a ter encontrado, só quando estiver com ela e lhe puder dar o mais apertado dos abracinhos. Daqueles que são dão ás irmãs de quem gostamos muito, muito, muito!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma vida em caixotes


 Desceu sobre mim o espírito das arrumações. Até a minha mãe anda admirada comigo por à meses não dizer a velha frase que ouço desde os seis anos: «ou arrumas o teu quarto ou eu abro a janela e vai tudo parar lá baixo!» De vez em quando dou com ela a olhar da porta com ar desconfiado e a abrir as portas do roupeiro para confirmar que não está tudo a monte lá para dentro. E não está. Está tudo arrumadinho nas gavetas, roupa de inverno separada da do verão. Casacos para um lado, vestidos para o outro. Tão arrumado que até me sobrou uma gaveta vazia. Como é que cheguei a este ponto? Pois não sei! Mas posso dizer que me deu uma trabalheira do caracinhas. É que para além de desarrumada tinha o péssimo defeito de guardar tudo. Sou daquelas pessoas que não se desfaz de nada. Um papelinho com um recadinho bonito, um clip em forma de mola que alguém me ofereceu, cabos de antigas máquinas de calcular, estojo da primária, canetas de feltro das aulas de EVT da altura do ciclo e o diabo a sete. Já ficam com uma ideia da quantidade de tralha que tinha. Agora multipliquem por duas casas. Esta e a de Lisboa! No dia em que o meu tempo de estadia em Lisboa chegou ao fim e voltei para a minha cidade 'mailinda', estava longe de imaginar a dor de cabeça que ia ter em encaixotar tudo. Ingenuamente estava convencida que encaixotava tudo em duas horas e sem grandes preocupações. Mentira. Pura mentira! Assim que comecei a abrir gavetas da secretária foi logo ali um enfrentar de realidade que me fez fechar a gaveta de imediato, sentar-me no sofá e pensar "daqui a bocado já lá vou, pode ser que tenha visto mal e não tenho tanta tralha como parece." Oh triste realidade. Comecei às duas da tarde, acabei às sete da noite. Entre encaixotar, arrumar, fazer triagem, sacos e sacos de lixo e de roupa para dar e de velharias e de indecisões, eram oito da noite quando sai de Lisboa, com o carro atolado até ao tecto qual carrinha de ciganos nómadas. Era raro o carro que passava por nós que não ficava a olhar lá para dentro. Travar era quase impossível, não viessem coisas disparadas para a frente. Mas o pior ainda estava para vir. Que era chegar a Aveiro e alombar com todos os caixotes escada acima com a minha mãe a olhar para mim com cara de «ai a minha rica casinha, que estava tão arrumada e vem-me esta maluca com coisas cá para dentro que já deviam estar na sucata à cinco anos». Ele era caixotes no hall de entrada, na sala, na cozinha, no meu quarto, livros e livros e livros, edredons, dvd's, cd's, sebentas da faculdade, impressora e tudo o que uma pessoa acumula em meia dúzia de anos de vida, principalmente, quem tem sorte de ter uma casa só para ela, onde espaço não falta. E acho que foi aí nesse momento, em que olhei à minha volta e vi a minha mãe com um misto de felicidade por me ter em casa outra vez e mortinha para me voltar a pôr a andar só para se ver livre de tanta confusão, que desceu em mim o espírito do desprendimento e arrumação. Em metade de um dia desfiz-me de coisas que já não usava, que já não vestia, que já não queria e que até então tinha sempre pena de me desfazer delas. No último sábado fiquei desprovida de apegos e ficou cá em casa só e apenas aquilo que era importante, aquilo que uso, aquilo que quero. O quarto ficou (quase) impecável. Falta uma pequena estante mas é coisa que se resolve brevemente. E já passaram quatro dias e o quarto mantém-se sem roupa em cima da cama nem na cadeira, sem sandálias e sem sapatilhas no chão, o saco do ginásio no devido lugar. E melhor, com a minha mãe a pensar que os anos que morei sozinha foi o seu melhor investimento.

Aurea

Há muito que andava a ouvir falar desta menina. Em revistas, em rádio, em televisão, ouvia entrevistas quase todas as semanas, mas nunca lhe tinha prestado atenção. Conheci-lhe o nome, comecei a ter percepção que era muito elogiada, mas continuei sem me interessar muito. Até que um dia reparei que uma canção que eu passava a vida a cantarolar era dela. E eu a pensar que era o novo single da Joss Stone. Imaginem! Que é coisa que me está sempre a acontecer. Ouço o nome das pessoas não lhes ligo e nem os associo à música. Até que chego ao dia em que junto a pessoa com a canção. E rendi-me. Quando vi o cartaz da semana académica de Aveiro e estava lá Aurea, mesmo só conhecendo uma música, tratei logo de arranjar bilhete e recrutar amigas e namorado para irem comigo. E só posso dizer que foi para lá de ES-PE-TA-CU-LAR! Primeiro tem uma voz para lá de maravilhosa, tem uma presença em palco cheia de boa onda, com muita descontracção e muita naturalidade. Parece uma boneca que nunca para e linda, linda, linda que só ela! Prometi ali mesmo que a ia ver num concerto a sério num Coliseu qualquer. Porque merece. Porque é uma excelente cantora, uma fantástica artista e, se conseguiu entreter e calar e por a cantar centenas de estudantes numa semana académica, nem quero imaginar o grande espectáculo que pode dar num concerto a sério. Fã. Fiquei fã!

O Biggest Loser e o Peso Pesado


É de conhecimento público que adorava o meu Biggest Loser. Às 18:15 e a partir das 23:30 lá estava eu colada à Sic Mulher a vibrar com os desafios, a roer as unhas nas pesagens, a lacrimejar com as conquistas dos meus favoritos. E no fim-de-semana, quando dava o compacto da semana, voltava a ver tudo de novo da mesma maneira como da primeira vez. Portanto imaginem a minha tristeza quando acabou a temporada nove e eu, que estava convencidíssima, que a temporada 10 começava de enfiada, não apareceu. E agora o que é que eu vejo à minha hora do lanche? E depois da novela Laços de Sangue mudo para onde? Meus amigos, isto não pode ser assim. Vamos lá ver uma coisa. Não é justo habituarem as pessoas a programas espectaculares e depois não darem seguimento. Orientem-se se faz favor porque tenho saudades da Jillian (já disse que queria uma para mim? Um dia faço um post só para ela), do Bob, da Ali, dos concorrentes que não conheço, dos desafios que ainda não vi e das balanças gigantescas a mostrar quem perde dez quilos por semana. Décima Temporada volta por favor!

Já agora, que estamos a falar no Biggest Loser, deixem-me dizer que o Peso Pesado é assim uma versão muito pobrezinha e muito coitadinha da versão americana. E até fico chateada como é que a Sic conseguiu dar cabo de um programa que tinha tudo para ser um sucesso. Para começar, aquela música do genérico é de fugir. A Júlia Pinheiro está para a apresentação daquele programa como um elefante está numa loja de louças. Faz daquilo uma espécie de encontros imediatos para arranjar pares e durante o programa de domingo fala, fala, fala, fala e as pesagens tornam-se uma seca! Os concorrentes, são normais à luz da cultura portuguesa. O que é que isto quer dizer? Não sei. Apeteceu-me. Quando alguém é expulso, e sendo que o programa já está a ser gravado à semanas, estava à espera de ver como é que a pessoa ficou depois de sair do programa e quantos quilos perdeu, mas isso não acontece. E nós ficamos sem conhecer o antes e depois. Está mal! Eu sei que sou uma crítica do programa português por gostar tanto da versão americana, e também já não estava à espera que fosse com a mesma qualidade. Mas não precisava de ser tão fraquinho!

Strauss-Kahn


Tenho uma séria dificuldade em perceber algumas cabeças e, consequentemente, algumas atitudes. Custa-me entender como é que um homem de 70 anos, aparentemente equilibrado, com uma profissão de enorme responsabilidade a nível europeu põe uma vida de trabalho em risco por um acto sexual. Eu já nem falo no facto de ser uma pessoa imensamente instruída, que isto está mais que provado que os graus académicos não são sinónimo de boa educação e de bom carácter, mas uma pessoa com uma enorme visibilidade pública e com responsabilidades políticas tentar violar alguém, é qualquer coisa de indescritível. É doença? É desequilíbrio emocional? Ainda por cima este senhor é pai de uma rapariga. Será que em momento algum lhe passou pela cabeça que a sua filha, um dia, pode ser sujeita a um animal como ele estava a ser? 
Logo no dia a seguir insurgiram-se imensas pessoas em França que o senhor presidente do FMI estava a ser tratado como um vulgar criminoso. Peço desculpa, mas um homem que tenta violar alguém vai ser tratado como? Por sr dr violador? São os títulos académicos, os graus de mestre e de doutor que fazem com que uma tentativa de violação seja esquecida de forma automática? É nisto que gosto nos EUA. Não há cá poderosos, não há cá presidentes de não-sei-do-que. Cometeu um crime, vai preso e fica lá a pensar na vidinha. Se isto tivesse acontecido num país da Europa, o senhor andava feliz e contente ao ar livre, à espera de um inquérito qualquer que nunca chegaria a conclusão nenhuma. Ainda vinha fazer choradinho aos programas de televisão e a vítima ainda ia ser acusada de querer subir na vida á custa de escândalos e com sorte, processada por difamação. Sorte a de todos que o caso foi na América e assim, está numa cela pequenina, a pensar numa maneira de manter o fecho das suas calças fechado. E é muito bem feito!

De volta


 Um começo novo, uma página em branco, um livro novinho, uma oportunidade nova, um início de qualquer coisa trás expectativa, formigueiro na barriga, entusiasmo, esperança. E dá aquela boa sensação que daqui para a frente vamos fazer as coisas de maneiras diferentes, não vamos cometer os mesmos erros, não vamos falhar em nenhum sítio nem com ninguém. A vontade de começar é muita e a de provar que somos pessoas infalíveis e dedicadas é ainda maior. Também damos por nós a pensar porque é que não tomamos esta atitude ou esta decisão à mais tempo, porque é que desperdiçamos tanto tempo se agora é que estamos bem, se agora é que estamos certas dos nossos projectos. E é aqui, nesta pequena fronteira da animação com a actualidade, que roça o arrependimento. Que nos faz olhar para trás. Que nos faz fazer mil e uma perguntas. E quando damos por ela, voltámos a cair no mesmo erro que é estar a chorar o passado em vez de continuar a celebrar o presente. É uma merda é o que é. Isto deve ser genética, só pode! Por mais que se prometa não pensar nas (más) decisões que se tomaram e continuar para a frente, parece que mais elas nos batem na cabeça e nos angustiam o peito. Há pessoas para quem é uma luta aprender a ver o copo meio cheio em vez do copo meio vazio. Tipo eu! Que por mais que rejubile de ter conseguido o que quis e a que me propus nos últimos meses, o atraso das minhas decisões quase que conseguem superar a minha alegria. Penso que se não tivesse demorado tanto já teria imensa obra, imensas coisas conquistadas. Já sei que me vão dizer que quando se toma uma decisão, foi porque nos pareceu a melhor na altura. Mas eu sou uma perfeccionista virada ao contrário. Que é como quem diz, quanto mais perfeito quer fazer mais merda faço. Não é por mal. Juro! Depois até lá dou a volta e as coisas entram no eixo. Mas eu faço realmente tudo ao contrário. Meto-me em dores de cabeça desnecessárias. E depois, pronto... sinto-me assim... com o futuro nas minhas mãos a depender só e unicamente de mim e fico a lamentar anos que já passaram. 
Desde muito nova, quando existia alguma coisa que me trouxesse dor de cabeça penso logo que por mim voltava a nascer naquele minuto. Por mim estava sempre a recomeçar. A chatice é que eu bem tento recomeçar, e ao mesmo tempo, a vida corre. E  quem se preocupa em recomeçar sempre tudo de novo, perde a vida que continua a existir todos os dias. Tenho um relógio avariado dentro de mim e eu já ando fartinha de andar contra o tempo. Isto tem de acabar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Palavras que nunca morrem, num País que nunca muda!

Precisa-se de matéria prima para construir um País 
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país. 
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO. Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país:
 -Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta. 
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !


EDUARDO PRADO COELHO

terça-feira, 26 de abril de 2011

O estado em que eu me encontro...Parte II


Ai que eu tenho tantas saudades de vir para aqui escrever, queixar-me, partilhar a minha felicidade, resmungar, contar as voltas que a vida dá num só dia e como nada acontece por acaso e como a vida bate sempre certo. Mas é que ando tão desorganizada de tempo, a minha cabeça anda tão a mil, que as palavras não conseguem sair à velocidade dos acontecimentos.
Valeu uns dias perdida numa aldeia de trás-os-montes, entre os folares, as roscas, o colo dos avós, as brincadeiras com os primos e as risadas com a família. Os dias no terraço a ler, o jantar à volta da lareira e o cházinho no escano da cozinha.
E é bom acordar de manhã com um telefonema a pedir-nos a nossa presença, a reconhecer a nossa utilidade e podermos usufruir do sol ao mesmo tempo. Sabe bem começar de novo, redecorar, reorganizar, readaptar.
Apesar de ainda muita coisa precisar de ser feita, aos poucos, tudo se encaixa. Tudo entra nos eixos. E é assim que se vive... um dia de cada vez, a ser Feliz!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Só para dizer Olá!

Muito, muito, muito, muito cansada!
Mas prometo que, no fim-de-semana prolongado da Páscoa, me dedico a contar as mil e uma histórias dos meus últimos dias. A quem tiver saudades da Tulipinha activa, que fique descansado. É que ando realmente muito ocupada!


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Se soubesse o que sei hoje

Há dias complicados. Há meses complicados. Há anos complicados. Há fases complicadas. Um pequeno nó transforma-se em novelo, o novelo transforma-se em bola e a bola rebola descontroladamente. Tudo era tão fácil de evitar se nos ensinassem a pedir ajuda no tempo certo, reconhecer o exacto momento de tomar decisões e parar no primeiro nó. Podíamos aprender na primária a ter lucidez no tempo certo, do mesmo modo que nos ensinam as letras, os números e as cores. Nunca fez tanto sentido a frase, "se soubesse o que sei hoje..."!
Muitas noites sem dormir, muita angústia, muito nó na garganta, muita dor de estômago, muita preocupação. Tudo nos tira a cor da pele, o brilho dos olhos, o sorriso da cara. Quando se bate no fundo e nos apercebemos que já não dá para descer mais, levantamo-nos. Porque o tempo dos gemidos foi durante a queda. Agora já chega. Porque nada acontece por acaso. Mesmo se soubesse o que sei hoje...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Portugal

A Ditadura Democrática Portuguesa elimina os que pensam e promove os burros. (Peço desculpa ao animal, por quem tenho muito carinho e admiração).
   
Este é o maior fracasso da "democracia portuguesa".
(POR CLARA FERREIRA ALVES)

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! Camaradas Sócrates... Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.

Clara Ferreira Alves - "Expresso"

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Tulipa no parque


Os dias melhores são, sem dúvida, aqueles em que não fazemos planos. Aqueles em que saltamos da cama de coração aberto, de sorriso na cara e pensamos ' bora lá p'ra rua, a ver o que dia nos reserva'! Sábado acordei assim, sem nada planeado a não ser ir almoçar a casa da tia. Sem hora para vir, sem ideia do que fazer o resto do dia. E o dia foi acontecendo.
Quando à noite me sentei no sofá doía-me a barriga e as bochechas de tanta risada, doía-me os pés de tanto correr, estava cansada de tanto passeio, tinha a boa disposição nos limites máximos de tanta brincadeira. Entre jogar a apanhada,  ao macaquinho do chinês - que já não jogava desde 1995 no mínimo- ver magia, fazer cócegas, mandar beijinhos foi assim um dia para lá de espectacular!
Ter crianças pequeninas, brincar com elas e esquecer o resto do mundo devia ser daquelas receitas prescritas para a depressão, a hipertensão, o colesterol, a rabugice, a tristeza, tudo! Porque a felicidade que elas nos dão e aquilo que nos fazem correr para as acompanhar é a cura para todos os males. 
E o meu coração em especial derreteu-se com os miminhos e os beijinhos e as festinhas e o carinho deles para mim, de mim para eles e entre os dois. E as minhas hormonas saltitaram que nem umas batatas fritas e activaram o meu instinto maternal. E a única coisa que me passava pela cabeça era 'quero isto para mim'! 
E tudo isto voltou a acontecer no dia seguinte! Oh, Vida Feliz!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desassossego


Do mesmo modo que ando tão desinspirada para escrever, ando com a cabeça cheia de preocupações e medos e receios. Que isto de ser optimista e tentar assobiar para o lado como se estivesse tudo bem, não funciona comigo. É que ando mesmo desassossegada!

quinta-feira, 7 de abril de 2011


É uma merda quando se luta muito e se perde! Principalmente quando a batalha é desigual. Desta vez a doença levou a melhor, mas tenho a certeza que teve luta até ao fim. A quem foi, que esteja em paz.  Aos meus amigos que tenham força para resistir à tristeza e coragem para enfrentar a saudade.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Nem sempre estamos certos. Mas não porque estejamos errados.

Greves


Ora bem, eu até entendo as greves. Acho justo que as pessoas se manifestem e lutem pelos seus direitos quando não estão a ser cumpridos. O que não entendo é que, sendo do conhecimento geral que este país está na bancarrota, falido, sem um centavo no bolso, kaput mesmo, estejam a reivindicar...salários! 
A merda é que as pessoas que estão a ser prejudicadas somos pessoas que nada podem fazer, porque não são os afectados pela greve que gere o que a empresa ganha. Nós, comuns mortais, pagamos um passe para nos deslocarmos, que não é tão barato quanto isso, e ficaríamos muito felizes se o pudéssemos usar.
Se querem mesmo reivindicar o que vocês acham que têm direito, ponham-se à porta de casa dos administradores e gestores que são responsáveis pela empresa que representam. Porque são eles que ficam com os vossos salários, que geriram mal as receitas e levaram-nos a todos a esta situação. Furem-lhe os pneus dos carros luxuosos, façam o diabo a sete se for preciso, mas ACABEM com a merda das greves do metro, que sempre que existem trancam-me em casa e eu tenho mais que fazer à vida! Se começo a ir de táxi sempre que há greve, deixo de pagar as contas cá de casa e passo a comer atum todos os dias.
Portanto era muito simpático pararem com as greves, a que eu já perdi a conta, e que todo o Portugal já reparou que têm sido completamente ineficazes!  
É que ando mesmo fartinha de vocês!

[A pensar seriamente em mandar este post para a caixa de reclamações da Metropolitano de Lisboa.]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Benfica- A perda do Campeonato e da Dignidade

Já muita gente comentou as tristes cenas de violência antes do jogo Benfica-Porto, assim como a atitude de suprema estupidez, de no final da partida, terem apagado a luz do estádio e ligado os aspersores. Eu sou só mais uma. Sendo benfiquista desde pequenina, vale o que vale. Mas ora então vamos por partes. 
Desde quando começou a moda dos apedrejamentos aos autocarros dos clubes, às claque, aos carros dos dirigentes? E de que forma é que isso faz com que se ganhe ou perca jogos? Às vezes, e ultimamente de forma muito constante, penso que quanto mais a sociedade evolui, mais as pessoas são animalescas. O que é um contra-senso! Sociedades modernas seria normal terem outro tipo de pessoas. Pessoas (?) diferentes daquelas que ontem mandavam pedras à polícia, partiam carros de famílias à pedrada, faziam as figuras mais tristes em frente às cameras de televisão. Pareciam autênticos animais aos murros, aos insultos, completamente descontrolados. Já fui uma benfiquista muito assídua do estádio da luz, já tive o prazer de ver grandes jogos tanto para a Champions como para a Liga portuguesa e nunca assisti a nada disto! Quanto mais o tempo passa, mais as pessoas ficam estúpidas é?

Adiante, mas não menos triste, foi a falta de fair-play que houve no estádio. Mas que raio foi aquela ideia de terem apagado os holofotes da relva? Que atitude estúpida foi aquela de ligarem a rega? Mas que idade têm estes dirigentes que dão ordens tão mesquinhas como estas? Sete, oito anos?  Mas anda tudo estúpido ou quê? E se por algum acaso, no meio daquela escuridão, alguém se magoasse a sério, como é que seria? Estavam lá centenas de adeptos a comemorar, homens, mulheres, crianças, famílias que pagaram bilhete, que compraram aqueles lugares e a direcção manda apagar a luz? Foi a atitude mais infantil que vindo de um clube de 107 anos poderia ter. Uma vergonha! Isso e dar banho aos jogadores, que pelos vistos até agradeceram que deviam estar bem transpirados! 
Ontem não perderam só o campeonato. Perderam muito mais que isso. A dignidade e o respeito dos adeptos! E eu falo por mim!

Mais coisa, menos coisa é isto que penso

Ligo a tevê nas notícias e só ouço falar em FMI, crise, taxas de juro, ratings, os raspanetes da Merkel, o gozo dos ingleses, os conselhos dos irlandeses, que somos o "lixo" da Europa, que vamos falir, soçobrar, desaparecer do mapa, kaput. Os jornalistas falam da crise económica como se noticiassem o tsunami no Japão, uma horrível desgraça natural da qual não vão restar sobreviventes, embora por enquanto  esbracejemos vivos por entre os escombros da derrocada, e apareçamos em directos escabrosos feitos de tripas e sangue. Ora, eu saio à rua e parece-me que a vida continua mais ou menos como sempre. Estamos no geral mais pobres, é certo, temos menor qualidade de vida, compramos casas com menos assoalhadas, mais longe dos sítios onde trabalhamos, levantamo-nos mais cedo. Temos dificuldades, muitos de nós desempregados, alguns porque não querem lavar escadas, outros viciados no subsídio. Na rua, as pessoas continuam a entrar nas lojas, as mulheres a cobiçar o mesmo único top. Compramos menos, compramos pouco, mais marcas brancas, menos gourmet, cortamos nos pequenos luxos. Menos livros, menos revistas, mas os carros continuam a enxamear a cidade nas horas de ponta, apesar dos combustíveis. Gente é despedida mas gente também é contratada; vendem-se casas, arrendam-se outras, menos dinheiro passa entre mãos. O sol nasce e põe-se, os nossos putos vão e vêm das escolas, das creches. Muitas são públicas - e são boas. Os mais velhos têm as mesmas crises vocacionais que tínhamos com a idade deles, mas muito mais escolha e um ministério com computadores que os ajuda a escolher. Têm o Erasmus, os voluntariados, a net que nunca os deixa sozinhos. Vivemos numa democracia e eu não tenho de usar burka nem chador quando saio à rua. Ganho menos, não tenho a vida fácil que tinha há uns anos (por outras razões que não apenas a crise), mas a praia continua lá, o mar, a areia, as arribas e é tudo de graça. Há filmes e séries giras, cada vez mais sítios para sairmos à noite, esplanadas onde podemos beber um café por menos de um euro e gozar a vista, cheirar o sol, rir com um amigo. Continuamos a apaixonar-nos; pelo novo namorado, pela filha que nasce, pelo sobrinho, pela vizinha do lado, pelo cão que trouxemos do canil. Andamos cansados, temos de dar mais de nós para receber o mesmo (ou menos ainda), mas temos hospitais, seguros de saúde, parques infantis, ciclovias. As rádios dão-nos música, chateamo-nos com o chefe, com a puta da colega que nos lixa, saímos à porta para esfumaçar, inspiramos fundo, voltamos a entrar. Trabalhamos em merdas de que não gostamos mas paciência, é assim com quase todos. O manel da tasca continua a servir copos de três e amarguinhas aos agentes da ordem, apesar da carga iminente do FMI. As administrativas continuam a falar do namorado da alexandra lencastre e do cristianinho. E apercebemo-nos de que o histerismo televisivo-jornalístico que nos prevê o armagedão é um bocado apenas isso mesmo: histerismo, obsessão, gritaria, politiquice rasteira à desgarrada, dia após dia e sempre no prime time. Tudo amplificado pelos jovens precários que querem a luta e que se acham únicos e singulares na sua normal incerteza de princípio de vida; e pelos políticos, que incutem no povo  esta novel fobia por abstracções cujo significado este mal entende, feitas de siglas, acrónimos e de estrangeirismos que seguramente nos farão mal, muito mal. Andamos com medo, mas não sabemos exactamente de quê. E eu, apesar de estar quase nas lonas, de lamber as montras e de pouco ou nada poder comprar para além daquilo com que faço questão de mimar os meus, acho que é importante ter isto em perspectiva: não obstante os ai-jesus europeus e do mundo em geral em relação ao suposto lixo que é Portugal (e que nos são diariamente gritados aos ouvidos),  temos carros, ruas, jardins, pessoas, mulheres de mini-saia, bebés nas cadeirinhas, autocarros, mini-pratos, menus do dia, jornais de ontem, salas de cinema, pipocas, imperiais, pão fresco - e  ainda montras para lamber.
 
Post publicado no blogue Controversa Maresia

F.C.P. e o Namorado


O ano passado estava eu com o namorado, a vir do Dolce Vita a caminho de casa, quando o jogo do Benfica terminou e sagrou-se campeão! De repente ficámos cercados de carros, cascóis, bandeiras e muita cor vermelha. Eu, orgulhosamente benfiquista, juntei-me logo à festa a apitar dentro do carro e a gritar Benfica para grande desgosto e dor de cabeça do meu homem que é Portista desde pequenino (como ele costuma dizer). Ainda não satisfeita com aquela festa, quando chegámos a casa, fui a correr buscar o meu cascol muito encarnado e coloquei-o em cima da televisão. O meu fantástico namorado deixou-me fazer a festa e na verdade, nem me ligou muito. Passou um ano. Ontem tinha-o aos gritos à mesa do jantar a gritar Porto. Ontem tinha-o colado à SportTV eufórico. Ontem fiz o caminho de Aveiro a Coimbra com o rádio aos berros para não perder os últimos minutos do relato. Ontem fiz metade da A1 com o meu namorado às buzinadelas, a fazer sinais de luzes e a gritar o caminho todo POOOOORTO! Ontem foi a minha vez de o deixar fazer a festa. A dar-lhe os parabéns e admitir que foi um justo vencedor!
É assim a vida! Uma vez um outra vez outro, mas sempre felizes com as vitórias um do outro! Parabéns F.C.P.! Parabéns Amor!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Serviços Públicos # parte II

Acho realmente fascinante admirar pessoas que trabalham nos serviços públicos. Gosto imenso de ver pessoas de secretárias vazias a olharem para o tecto e a levantarem-se e a sentarem-se e a continuar a olhar para o tecto, enquanto pessoas se vão aglomerando no serviço.
Hoje também fiquei a saber que o Cartão de Cidadão tem apenas a validade de cinco anos! Não entendo muito bem porquê, se os números irão continuar os mesmos, a cara das pessoas não muda tão drasticamente em cinco anos que justifique a renovação do cartão. Se hoje são quinze euros para o tirar, daqui a cinco anos não será menos de vinte, de certeza! É uma trabalheira para nós, um desgoverno para o Estado.
Por último, adoro pessoas que não respondem quando eu digo bom dia, como a senhora que limpa as escadas do meu prédio. Acho fantástico passar por alguém, cumprimentar e essa pessoa não responder! Ah boa educação, ainda bem que não pagas imposto...!

terça-feira, 29 de março de 2011

Vanity Fair...

... ou como o Robert, de Brothers & Sisters, me tira a respiração!

Serviços Públicos

A lentidão dos serviços públicos é daquelas coisas que me deixam a hiperventilar num instante! Não há coisa que me enerve tanto do que estar numa fila e ver as funcionárias à conversa umas com as outras, enquanto estão ali dezenas de pessoas à frente delas a criar raízes de tanto esperar. A par com a má educação e antipatia, é o que mais me irrita. 
Tenho reparado que os serviços públicos cada vez têm menos balcões abertos. Não sei se a crise fez com que despedissem funcionários, se os puseram noutras actividades. Só sei que depois vejo coisas hilariantes como na EDP existir uma funcionária unicamente para distribuir senhas. Todas as outras repartições têm uma máquina para esse feito, a EDP tem uma pessoa sentadinha numa cadeira a distribuir senhas, que espantem-se, as tira da máquina! Será que eles acham que os clientes são tão burros que não sabem carregar num botão e esperar pela sua vez? Na minha humilde opinião diria que era muito mais útil atender pessoas e despachar serviço que tirar senhas de uma máquina. Mas isto sou eu que penso, não interessa nada!
Os CTT's, que por norma têm no mínimo três balcões, só tenho apanhado um em funcionamento. E fico a pensar que as outras pessoas que lá trabalham devem estar ocupadíssimos em algum compartimento longe dos olhares. Quando não é o meu espanto, vejo funcionárias a aparecer atrás do balcão, em que vagueiam muito lentamente ali na zona, chegam ao fundo da sala e voltam para trás, olham para os clientes e continuam o seu passeio no meio das caixas, balcões e colegas para depois voltarem a desaparecer. Sem procurar nada, sem um ritmo próprio de quem está a trabalhar sem tempo a perder, de quem precisa de alguma coisa e não encontra. Nada! Puro passeio, de mãos atrás das costas, numa forma muito relaxada. E a colega a atender sozinha, com uns correios à pinha próprio do fim do mês em que se pagam contas e recebem reformas.
Hoje quis marcar uma consulta para a médica de família e estive das dez da manhã a ligar para o centro de saúde. Tentei todos os números disponíveis, não sei quantas vezes cada um. Até fiquei sem bateria no telefone fixo. Atenderam-me às quatro da tarde. Será mesmo que não havia uma alminha que atendesse um telefone no meio daquele centro de saúde inteiro? Uma marcação demora menos de dois minutos a ser feita.
Amanhã vou levantar o cartão de cidadão. Vamos lá ver o que me espera. A última vez que lá fui, a senhora que me estava a atender, foi interrompida por uma colega que lhe foi falar de conversas que tinham acontecido entre outras colegas. Numa palavra: mexericos. Em pleno horário de trabalho. A senhora que me estava a atender ficou realmente atrapalhada a olhar para mim e tentou despachar a colega como pôde. A outra é que preferia estar a tricotar do que ir trabalhar. 
É de mim ou estas cenas dão uma péssima imagem dos serviços públicos portugueses? E não me falem da crise, essa bela palavra que serve de desculpa para tudo, até para a incompetência!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pizza e leite

Beber pizza com uma Ucal era algo que nunca me passaria pela cabeça. Mas mais importante, não me passaria pela cabeça que passaria pela cabeça do meu namorado. Mas passou. Aconteceu ontem. Não sei se pelo vento, se pelo frio, se pelas horas excessivas dentro de um jeep, mas à hora do lanche foi mesmo isso que pediu. E eu esbogalhei os olhos e pensei, que apesar de já serem tantos os anos que o conheço, consegue surpreender-me sempre!

P.S. A pizza era óptima!